António Feijó, 1917-2017 Memórias e revisitações

Ana Carneiro e Filipa de Arrochela Lobo

Resumo


O primeiro centenário da morte de António Feijó – figura elevada da literatura finissecular em Portugal – justificou a preparação de um programa comemorativo de conteúdo diversificado que arrancou a 20 de junho de 2017 – dia do desaparecimento prematuro do poeta-diplomata – com uma exposição evocativa do relevante legado feijosiano. A mostra, patente ao público na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima (BMPL), congregou 14 painéis generalistas e temáticos que, ao longo de cinco meses, consubstanciaram o essencial da vida e obra do autor de “Sol de Inverno”. O tributo biobibliográfico permitiu a utilizadores e visitantes o acompanhamento de uma síntese biográfica de António Feijó – em que as informações fundamentais surgiam numa combinação concertada de texto, grafismo e imagens –, a apreciação de uma seleção de poemas menos conhecidos do escritor – mormente uns versos apontados na sebenta da cadeira de Direito Romano no tempo boémio da Academia –, o deleitamento com as copiosas aventuras do estudante Feijó na Universidade de Coimbra e com a partida jornalística de um pretenso crime perpetrado por uma quadrilha de carecas em Faldejães – a lembrar a aventura em folhetins de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão –, o entrosamento com a notável produção literária feijosiana – de que se destacam as obras “Cancioneiro chinês” e “Ilha dos amores” –, o entendimento das agruras do exílio permanente por força da carreira diplomática – profissão que o leva a Estocolmo e ao amor de Mercedes Lewin –, a leitura de uma seleção epistolográfica demonstrativa da riqueza de personalidade de António Feijó – com particular evidência para a faceta jocosa e acutilante do poeta –, e, finalmente, a perceção do mediatismo que rodeou o retorno à terra pátria dos restos mortais do escritor ponte-limense e de sua amada. Depois da exposição, fica a transposição escrita de parte da mostra de tributo num gesto de perpetuação do legado do reverenciado Feijó.

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